Hoje perguntaram-me por
nós. Achei uma pergunta tão nostálgica, amarga, inapropriada e eu tinha tão
pouco para dizer, tão pouco para datar, tão pouco para sentir quando se passou
tanta coisa. Fechei os olhos, inspirei e pronunciei – Cresci como pessoa. Passado,
estou bem! – E desviei o assunto. Todos os pensamentos partiram e eu abstraí-me
da questão que me fora imposta. Mas cada vez que o silêncio se entrosava, eu
recordava. Cheguei a pontos nunca anteriormente chegados, avistei metas jamais
alcançadas, acasalei os pontos de interrogação. Pôs-me no teu lugar e comparei
o teu lugar com o dos outros. Agrupei cada confissão e desleixo com o timing e por fim, um último pensamento
passou por o meu consciente em forma de desfecho: eu poderia ter dado mais!
Podia não ter mentido, poderia não ter corroído cada promessa, não ver nos
outros uma oportunidade de te provocar. Podia ter ido falar contigo, em vez de
pedir. Tocar à campainha da tua casa. Podia ter ligado, ter aparecido mais
vezes. Podia insistir em vez de te querer esquecer. Eu limitei-me a esperar,
esperar…
Dei uma gargalhada
silenciosa. “Podia ter corrido atrás mais um bocado”… Claramente. Mas quando há
amor, as pessoas correm lado a lado, não uma atrás da outra. Então, deixei de
me concentrar no “eu” e comecei a estudar o “tu”. Tu também podias ter lutado um
pouco mais por mim. Podias ter-me ouvido, podias ter falado comigo ao invés de
me largar a mão. Não te levares pelas palavras dos outros. Ri-me mais um pouco.
Ri-me do desespero, da insistência, da dependência, da falta de amor-próprio.
Das mentiras, das atitudes duras, das palavras abreviadas. Ri-me da falta de
experiência e da falta de coragem. Mas, e daí? Eu também poderia ter rido mais
em vez de me ralar tanto. Ter feito mais do que ter dito tanto. Poderia ter-me
amado mais do que ter-te amado tanto. Porém não o fiz: eu não lutei demais, nem
lutei de menos. Lutei o suficiente! O suficiente para saber, que da minha
parte? Da minha parte foi real.
Por vezes temos de
refletir sobre o que somos para podermos escolher aquilo que queremos ter. Há
bem pouco tempo eu refiz a minha escolha: escolhi-me a mim. Deixei de acreditar
no mecanismo do infinito e refiz os factos. Cabeça para a frente e sorriso no
rosto. Na verdade, eu poderia ter feito tudo de modo distinto. Mas se me dessem
a possibilidade de voltar atrás? Eu voltaria e faria tudo igual. Porque é isso
que um dia mais tarde me vai distinguir: as minhas piores escolhas, os maiores
erros e o senso. Porque apesar de tudo o que se sucedeu, eu continuei sentada
no meio da ponte a aguardar que um dia viesses falar comigo.
Repensei na pergunta e
questionei-me: nós? Complexo. A pessoa que quis de mais e a pessoa que prezou
de menos. Nunca poderemos negar o facto que os nossos caminhos se cruzaram e
por acidente ou não, nos chocamos. Eu abandonei a ponte, tu ficaste fora da
margem. Há quem diga que fomos feitos um para o outro, há quem diga que nunca
vamos ficar juntos. Nós preferimos não dizer nada. Ficar acomodados a milhares
de palavras não ditas, a relações inacabadas. Quando o meu amor acaba não terá
mais uma vez. Destruí a ponte, apaguei as pegadas. Caminho é para a frente! Ao
contrário do que a crença popular diz, pode existir mais do que um amor
verdadeiro na vida. Voltei a abafar todos os pensamentos e sussurrei para mim
mesma – Cresci como pessoa. Estou bem! - Sorri, levantei-me e a minha mente
ocupou-se por milhares de pensamentos: música, amigos, férias, calor, diversão…
amor próprio!
Escrito:
23/Agosto/2013