Um vazio enorme que me acompanha constantemente, de mãos dadas a uma nostalgia interminável.
-Bati mesmo no fundo! – Repetia moderadamente para um ser que habitava dentro de mim ao qual eu estranhava.
Ajustei o cobertor branco e deitei-me no chão gelado. Olhei para cima e tentei interpretar as estrelas, ou pelo menos um pedaço delas: aquilo que elas me permitiam ver. E, sem querer, perdi-me na escuridão que as envolvia. A minha imaginação sobrepôs-se a todo aquele cenário em que eu estava envolvida.

Lembrei e relembrei cada pedaço perdido no tempo, cada folha de papel gasta pelos dias que eu risquei no meu pequeno calendário. Tu! A tua imagem invadiu-me e eu tremi por dentro. E veio-me à memória representações que se refletiam na minha mente, ao qual a alma observava. Tu guiavas-me e para onde quer que fosses, por onde quer que fosses eu iria contigo. Reinterpretei o nosso “para sempre” e percebi que por mais voltas que o mundo dê, por muito que as coisas mudem essa pequena eternidade ao qual eu julgava ser uma certeza, está condenada. Porque no final de contas, o “nosso” não passava do “meu” para sempre, revestido por um pedaço de mágoa interminável. Tal e qual como a pequena história que eu rasurei no meu pequeno livro. Uma pequena circunferência, um pequeno círculo vicioso onde apenas me encontro eu de mãos dadas com a ilusão de que tu sentes o mesmo. Não se trata de nós: é um crime juntar eu e tu numa palavra só. Trata-se apenas de mim, da minha história, da minha pequena fantasia num mundo paralelo ao qual eu entreguei profunda fé. Conclusão: sou demasiado vulnerável, delicada, ingénua… enfim, excessivamente pequena para aguentar com um sentimento tão grande, descomunal.



Abstraí-me daquela solidão e olhei de novo para as estrelas. Tão pequenas e tão brilhantes… Dobrei a folha de papel que continha a nossa primeira foto e guardei na minha gaveta enferrujada. Fechei-a. Era uma folha como tantas outras, que se iam desgastando século após século no meio de antiguidades. Era apenas uma minúscula folha que guardava grandiosos sentimentos. Tal e qual como nós: uma rapariga pequena a amar algo utópico, tu!


Talvez um dia eu cresça e consiga atingir todas as estrelas do céu. Até lá fico com as minhas pequenas grandes folhas de papel. Fechei os olhos e caiu-me uma lágrima salgada: a minha última gota de esperança!

Escrito: 31/Maio/2013

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